O empresário William Gusmão, irmão da influenciadora digital Virginia Fonseca, usou suas redes sociais para se defender após ser condenado pelo Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJ-GO) pelo crime de importunação sexual. O caso ocorreu durante uma festa no município de Jussara, em abril de 2023, e o desfecho judicial em segunda instância foi publicado após três anos de tramitação do processo.
A assessoria de imprensa de Virginia Fonseca emitiu um comunicado informando que a influenciadora não irá se pronunciar sobre o assunto, justificando que a situação envolve o âmbito estritamente pessoal de seu irmão. Em contrapartida, os advogados de Gusmão declararam respeitar o colegiado, mas confirmaram que vão recorrer da condenação junto aos tribunais superiores.
Versões conflitantes nos autos e redes sociais
Em pronunciamento gravado no Instagram, William Gusmão rejeitou a acusação e negou o contato físico íntimo apontado no processo. Segundo sua versão, a aproximação da mulher ocorreu de forma voluntária para o registro de três fotografias consecutivas, momento em que ele manteve as mãos apenas nas costas da jovem.
O empresário alegou que a denunciante estava mal-intencionada, afirmando que ela retornou acompanhada de terceiros proferindo ofensas à sua família com o intuito de iniciar um confronto físico ou flagrar uma situação comprometedora em vídeo.
No entanto, a denúncia acolhida pelo Poder Judiciário apresenta uma dinâmica oposta. Com base nos autos, o réu aproveitou o momento em que posava para a fotografia para colocar a mão por dentro da calça da vítima e tocar suas partes íntimas sem consentimento. Os desembargadores da 1ª Câmara Criminal avaliaram que o conjunto probatório anexado ao inquérito foi sólido o suficiente para atestar a materialidade do crime e fixar a autoria.
Relato de impacto e manifestação da defesa
Em áudio obtido pela reportagem, a vítima relatou as consequências do episódio em sua rotina nos últimos três anos, em Goiânia. Ela denunciou ter enfrentado uma campanha de descredibilização pública na internet, além de perseguições jurídicas que a obrigaram a pedir demissão do emprego.
"Ele me massacrou, colocou minha imagem dizendo que eu sou biscoiteira, que só queria seguidores. Minha vida foi totalmente desgraçada por conta desse homem. Gastei dinheiro com psicólogo e psiquiatra. Hoje estou em paz porque a justiça foi feita", desabafou a vítima.
Em nota oficial, a defesa técnica de William Pimenta Gusmão argumentou que a decisão da 1ª Câmara Criminal reforma uma absolvição prévia e atende a um recurso da acusação, não sendo, portanto, uma sentença transitada em julgado. Os defensores enfatizaram que o próprio Ministério Público de Goiás (MP-GO), tanto em primeira instância quanto por meio de parecer da Procuradoria de Justiça, havia se manifestado de forma favorável à absolvição do réu por entender que havia ausência de provas cabais.