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Morte de fisiculturista alerta para risco de doença no coração

Laudo do IML apontou que o atleta Gabriel Ganley, de 22 anos, sofreu morte súbita causada por condição que provoca o espessamento do músculo cardíaco.
25 mai 2026 às 16:24
Por: Band
Reprodução/Instagram/ganleygabriel

A morte do fisiculturista Gabriel Ganley, de 22 anos, voltou a chamar atenção para uma doença cardíaca pouco conhecida do público, mas potencialmente grave: a cardiomiopatia hipertrófica (CMH). Segundo o laudo do Instituto Médico Legal (IML), o atleta sofreu uma morte súbita provocada pela condição, caracterizada pelo espessamento anormal do músculo cardíaco.


A cardiomiopatia hipertrófica afeta principalmente o ventrículo esquerdo — a principal câmara de bombeamento do coração — e dificulta a passagem do sangue para o restante do corpo. Em alguns casos, a doença pode permanecer silenciosa por anos e só ser descoberta após exames específicos ou episódios graves, como arritmias e parada cardíaca.


Especialistas apontam que a CMH é considerada a doença cardíaca genética mais comum e está frequentemente associada a mutações hereditárias que afetam proteínas do sarcômero, estrutura responsável pela contração do músculo cardíaco.


O que é cardiomiopatia hipertrófica?


A cardiomiopatia hipertrófica é uma doença do músculo cardíaco marcada pelo aumento da espessura das paredes do coração, especialmente do ventrículo esquerdo, sem que exista uma causa aparente, como hipertensão arterial ou doenças nas válvulas cardíacas.

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Esse espessamento reduz a eficiência do bombeamento sanguíneo e pode provocar alterações elétricas no coração, favorecendo o surgimento de arritmias potencialmente fatais.


Além da hipertrofia, a doença costuma causar desorganização das fibras musculares cardíacas e áreas de fibrose — espécie de cicatrização do tecido — que elevam o risco cardiovascular.


Quais são os sintomas?

Nem todos os pacientes apresentam sintomas, mas quando eles aparecem, os mais comuns incluem:

  • Falta de ar durante exercícios;

  • Dor no peito;

  • Tontura ou desmaios;

  • Palpitações;

  • Cansaço excessivo;

  • Sensação de batimentos irregulares.


Em alguns casos, a primeira manifestação pode ser justamente a morte súbita, principalmente em jovens atletas e pessoas submetidas a esforço físico intenso.


Cardiomiopatia hipertrófica pode ser genética?


Sim. A principal causa da CMH é genética. Estudos e diretrizes cardiológicas indicam que a doença possui padrão hereditário, geralmente autossômico dominante, e está relacionada a mutações em genes que codificam proteínas do músculo cardíaco.


Por isso, quando um paciente recebe o diagnóstico, familiares de primeiro grau costumam ser orientados a realizar avaliação cardiológica e, em alguns casos, investigação genética.


Existe relação com anabolizantes?


A cardiomiopatia hipertrófica clássica é considerada uma doença genética. No entanto, pesquisadores alertam que o uso crônico de esteroides anabolizantes pode provocar alterações estruturais no coração que se assemelham à hipertrofia cardíaca.


Na literatura médica, o termo mais utilizado nesses casos é “hipertrofia ventricular esquerda induzida por esteroides anabolizantes”, e não cardiomiopatia hipertrófica genética.


Estudos internacionais apontam que o uso prolongado dessas substâncias pode causar aumento da espessura do músculo cardíaco, fibrose, piora do funcionamento do coração e maior risco de arritmias e morte súbita.


Além disso, especialistas destacam que essas alterações podem criar dificuldade diagnóstica, já que atletas usuários de anabolizantes podem apresentar padrões cardíacos semelhantes aos observados na CMH.


E o uso de insulina?


A relação entre insulina e cardiomiopatia hipertrófica ainda é menos clara.


Até o momento, não existem evidências robustas demonstrando ligação direta entre o uso de insulina exógena para fins estéticos ou de performance e o desenvolvimento da CMH genética em indivíduos saudáveis.


Entretanto, médicos apontam que alterações metabólicas relacionadas à hiperinsulinemia e ao diabetes tipo 2 estão associadas ao aumento do risco cardiovascular, insuficiência cardíaca e hipertrofia ventricular.


Nos bastidores do fisiculturismo, o uso combinado de substâncias — incluindo hormônios, anabolizantes e estratégias extremas de preparação — tem gerado preocupação crescente entre especialistas.


Cardiomiopatia hipertrófica tem cura?


A doença não tem cura definitiva, mas pode ser controlada com acompanhamento médico, medicamentos e mudanças no estilo de vida.


Em casos específicos, podem ser indicados procedimentos para reduzir a obstrução cardíaca ou o implante de cardiodesfibriladores para prevenção de morte súbita.


O diagnóstico costuma envolver exames como eletrocardiograma, ecocardiograma, ressonância cardíaca e testes genéticos.

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