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Vorcaro encomendou dossiê sobre CEO do Itaú, diz PF

10 jul 2026 às 12:12

Investigações da Polícia Federal (PF) revelaram que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, encomendou ao publicitário Thiago Miranda a produção de um dossiê sigiloso contendo informações de natureza pessoal, profissional e patrimonial sobre o CEO do Itaú, Milton Maluhy. Os dados constam na decisão do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), que autorizou a deflagração da décima fase da Operação Compliance Zero.


A nova etapa ostensiva teve como alvo principal o publicitário Thiago Miranda, apontado pelos investigadores como o operador de uma engrenagem digital coordenada nas redes sociais. O objetivo do grupo era descredibilizar a governança do BC (Banco Central) após a autarquia decretar a liquidação extrajudicial do Banco Master. Agentes federais cumpriram dois mandados de busca e apreensão em Brasília, resultando na retenção de computadores, aparelhos celulares e documentos.


Espionagem corporativa e jornalista monitorada

O monitoramento de inteligência contra Milton Maluhy — que ocupa o cargo de CEO do Itaú desde 2021 — foi motivado por retaliação comercial. Em mensagens de texto interceptadas pela PF, Vorcaro solicitou explicitamente o levantamento de dados justificando que o executivo estava lhe "causando muito problema". O publicitário enviou um arquivo consolidado contendo dados financeiros privados e históricos patrimoniais de Maluhy e de sua esposa.


A perícia técnica da Polícia Federal identificou que o documento possuía a identidade visual e a formatação gráfica da Agência MiThi, empresa de comunicação corporativa controlada por Miranda.


O relatório da PF destaca que o mesmo método de coerção e espionagem foi direcionado à jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo. A profissional foi submetida a um levantamento constante de informações sensíveis após publicar reportagens jornalísticas que detalhavam as irregularidades financeiras e os bastidores do Banco Master.


O histórico da Compliance Zero


A Operação Compliance Zero foi originalmente deflagrada em novembro de 2025 para desarticular uma organização criminosa que fraudava o sistema financeiro nacional. O histórico da operação inclui:


  • Prisões: Daniel Vorcaro já foi preso duas vezes no âmbito das investigações.

  • Crimes investigados: Emissão ilícita de títulos de crédito sem lastro financeiro, corrupção ativa e passiva, lavagem de capitais e formação de quadrilha.

  • Aparato ilegal: Uso de uma estrutura clandestina de vigilância e inteligência para monitorar, constranger e intimidar críticos e reguladores do mercado.


Em nota oficial à imprensa, o corpo de advogados de Thiago Miranda refutou integralmente o teor das acusações. A defesa alegou que o publicitário atua dentro dos limites da legalidade e da transparência, negou envolvimento em atos de intimidação e informou que o cliente permanece à disposição do Poder Judiciário e da Polícia Federal para prestar os devidos esclarecimentos.

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