Aos 69 anos, o estudante José Marcelino está prestes a realizar um sonho que parecia distante: conquistar o diploma de Direito pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). A trajetória do acadêmico é marcada pela superação, depois de enfrentar uma grande transformação na vida pessoal e profissional.
Antes de chegar à universidade, José construiu a carreira trabalhando no campo e como encanador industrial. Aos 56 anos, porém, perdeu a visão após complicações de saúde relacionadas à rotina profissional e a uma reação adversa ao uso do medicamento cloroquina.
A mudança exigiu uma nova adaptação. Em vez de abandonar os planos, José buscou a alfabetização em Braille, retomou os estudos, concluiu a educação básica e decidiu prestar vestibular para o curso de Direito.
A escolha da graduação veio de uma motivação pessoal: compreender melhor os direitos das pessoas com deficiência e buscar conhecimento para enfrentar situações de injustiça que fizeram parte da própria trajetória.
Durante a faculdade, José contou com o apoio dos colegas de turma, que ajudaram na adaptação de materiais, conteúdos e atividades acadêmicas. A parceria, segundo ele, também se transformou em uma troca de experiências, já que o estudante contribui com os colegas levando calma, paciência e orientação nos momentos de maior pressão.
Agora, a formatura representa mais do que a conclusão de um curso. Para José, o diploma simboliza um processo de reinvenção, mostrando que novos caminhos podem ser construídos mesmo diante dos maiores desafios.