Cidade

Câmera registra discussão antes da morte de policial civil em Cascavel

01 jul 2026 às 08:49

Imagens de uma câmera de segurança obtidas pela Tarobá registraram a sequência de acontecimentos que antecedeu a morte do policial civil João Ezequiel Baptista Pereira, de 52 anos, na noite de domingo (28), no bairro Brasmadeira, em Cascavel.


A gravação mostra que o carro em que João estava chega em frente à residência por volta das 20h25. Cerca de um minuto depois, ele bate no portão do imóvel e, em seguida, volta a bater outras vezes com mais força.


Às 20h27, é possível ouvir o morador, um advogado de 45 anos, gritando de dentro da residência que já iria atendê-lo. João responde: "Então vem aqui, irmão", e retorna ao carro.


Poucos segundos depois, a gravação registra um barulho semelhante a um disparo efetuado dentro da residência, seguido de gritos e choro. Em seguida, o portão é aberto e os dois iniciam uma discussão.


Durante a conversa, o advogado pede que João deixe o local, enquanto o policial tenta acalmar a situação, repetindo frases como "para com isso" e afirmando que os dois eram amigos.


Em diversos momentos, ambos fazem referências às armas que carregavam. O advogado afirma: "Eu tô na tua mira aqui" e, em outro trecho, diz: "Joga tua arma aqui então". João responde que não quer atirar no advogado e afirma que prefere ir embora para evitar algo pior.


As imagens mostram que a discussão continua por vários minutos. Uma mulher e uma criança aparecem na garagem tentando interromper o desentendimento. A mulher pede diversas vezes para João ir embora e afirma que ele estava assustando a filha. O advogado orienta que elas retornem para dentro da residência para que os dois conversem.


Ao longo da gravação, o advogado insiste que João teria chutado o portão da casa. O policial nega repetidamente a acusação e afirma que não deseja fazer mal ao morador.


Em outro momento, João diz que pretende guardar a arma no carro, mas permanece conversando com o advogado. A discussão continua em tom elevado, enquanto familiares voltam a pedir que ambos encerrem o conflito.


Nos instantes finais das imagens, João afirma que vai embora. Em seguida, conforme as imagens da gravação, ele avança em direção ao advogado com a arma em punho. Os dois saem do campo de visão da câmera, já no interior da garagem.


Ainda pelo áudio, é possível ouvir o advogado dizer: "Se eu apertar esse gatilho, eu estouro a sua cabeça". Logo depois, João pede que ele largue a arma. Na sequência, são ouvidos os disparos.


Cerca de um minuto após os tiros, uma equipe da Polícia Militar chega ao local e realiza a prisão do advogado.


Investigação

João Ezequiel Baptista Pereira morreu ainda no local após ser atingido por disparos de arma de fogo. Segundo a Polícia Civil, a perícia constatou que ele foi atingido por três tiros, no crânio, na face e nas costas. Quatro estojos de munição compatíveis com a arma do advogado foram recolhidos na cena do crime.


O advogado afirmou em depoimento que agiu em legítima defesa. No entanto, conforme o delegado Fabiano Moza, os elementos reunidos até o momento não sustentam essa versão, motivo pelo qual ele foi autuado em flagrante e indiciado por homicídio qualificado por motivo fútil.


Após passar por audiência de custódia, o investigado teve a prisão preventiva decretada e permanece recolhido enquanto as investigações prosseguem. As imagens da câmera de segurança fazem parte do material analisado pela Delegacia de Homicídios para esclarecer toda a dinâmica do crime.

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