A edição que comemorou os 58 anos do
Festival Internacional de Londrina - FILO 2026, encerrada no último domingo
(28/jun), foi marcada pela retomada do grande formato que o caracteriza como um
dos mais importantes da América Latina no campo das artes cênicas. A temporada
de espetáculos foi celebrada pelo público, que compareceu em peso às
apresentações em teatros, salas alternativas e espaços públicos da cidade.
Segundo estimativa dos organizadores, o FILO 2026 teve público aproximado de 32
mil espectadores.
O espetáculo de encerramento, “Yo,
Mussolini”, trouxe ao palco do FILO o icônico ator, diretor e bufão
ítalo-americano Leo Bassi, que arrebatou o público presente no Cine Teatro Ouro
Verde na noite de domingo. Com seu humor ácido e provocativo, Bassi – que vive
na Espanha - encarna o ditador italiano Benito Mussolini, tecendo uma sátira ao
fascismo e ao autoritarismo. O último dia do FILO 2026 também foi marcado por
grande presença do público no palco flutuante do Lago Igapó, na terceira
apresentação do palhaço mexicano Aziz Gual no Festival. No espetáculo “De Risa
en Risa”, ele arrancou gargalhadas e interagiu com a plateia formada por
espectadores de todas as idades.
Patrocínios - A extensa programação do FILO 2026
foi viabilizada graças a importantes patrocínios e apoios ao projeto. A
retomada da Petrobras como patrocinadora master do Festival é um dos
pontos em destaque este ano. A empresa é a apresentadora oficial desta edição,
junto com o Ministério da Cultura / Governo Federal, por meio da Lei Rouanet. A
Prefeitura de Londrina mantém sua parceria com o FILO, com o fundamental
patrocínio por meio do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic).
Com produção da Usina Cultural, o
FILO 2026 recebeu ainda recursos do edital Paraná Festivais, via Secretaria de
Estado da Cultura do Paraná, Sistema Nacional de Cultura, Política Nacional
Aldir Blanc, Ministério da Cultura/Governo Federal. Contou também com o apoio
da Universidade Estadual de Londrina e do Núcleo dos Festivais Internacionais
de Artes Cênicas do Brasil.
Para o coordenador geral do
Festival, Alex Lima, mais do que o investimento financeiro, o retorno da
Petrobras como principal patrocinadora representou o reconhecimento da
relevância histórica do FILO, demonstrando como grandes patrocinadores são
fundamentais para garantir a continuidade de festivais dessa dimensão.
“Produzir cultura de excelência exige responsabilidade, planejamento e
parceiros comprometidos com o desenvolvimento cultural do País”, destaca.
FILO em números – Desde o dia 12 de junho, o FILO
ofereceu uma grade robusta de atrações. Ao longo de 17 dias, foram mais
de 50 atrações, com artistas e grupos de 6 países, 7 estados
e Distrito Federal e de 13 cidades brasileiras, ocupando teatros,
espaços culturais e praças com uma programação diversa, acessível e voltada à
formação de público.
Além de 75 apresentações, o
FILO 2026 trouxe uma agenda de atividades formativas. Oficinas, bate-papos e as
apresentações da “Mostra Didática de Artes Cênicas Nitis Jacon” promoveram
gratuitamente a troca de saberes entre público, estudantes, artistas,
produtores, técnicos e os grupos participantes.
Foram realizados 4 bate-papos (com o Grupo Galpão, Grupo Mevitevendo, Alice
Rippol & Hiltinho Fantástico e Rodrigo Portella), além de 2 oficinas
(com Aziz Gual, do México, e Sandra Vargas, do Grupo Sobrevento) e 10
apresentações que lotaram as plateias da mostra didática.
Democratização da cultura – O FILO intensificou as ações
voltadas à acessibilidade como forma de reconhecer e valorizar o direito da
pessoa com deficiência em ter acesso à arte e cultura. Além de disponibilizar
intérpretes de LIBRAS na maior parte das apresentações, alguns espetáculos
também traziam legendas e audiodescrição incorporados ao trabalho. Outros
abordaram a temática, ampliando o alcance e destacando a importância da
acessibilidade. O Festival ainda ofertou visitas sensoriais, em teatros e
cenários, para grupos e pessoas com deficiência (PCD).
Mais uma inovação deste ano, o
Espaço Petrobras foi criado especialmente como um ambiente de convivência e
difusão artística, envolvendo artistas, produtores, técnicos e público do
Festival. Montado em um barracão transformado em espaço cultural alternativo na
região Leste, o Espaço Petrobras funcionou como local de experiências
culturais, atividades formativas e apresentações artísticas nacionais e
internacionais.
“O Espaço Petrobras reafirmou a
característica do FILO de aproximar o público dos espetáculos e fomentar o
compartilhamento de ideias. É uma estratégia de democratização cultural”,
observa Luiz Bertipaglia, diretor artístico do FILO. “A cidade é transformada
em um palco, onde convidamos a população a vivenciar experiências artísticas e
promovemos uma movimentação urbana”. Ainda com esse objetivo, o FILO levou apresentações
gratuitas para a Concha Acústica, Lago Igapó, Calçadão, Praça Nishinomiya e
Escola de Circo, na região Norte.
Conexão com a realidade - Além de celebrar a trajetória
consolidada ao longo de quase seis décadas, a edição deste ano apresentou uma
programação atenta às questões mais urgentes do presente. Segundo Alex Lima, a
curadoria privilegiou o encontro entre diferentes linguagens, gerações e
territórios, reunindo grandes referências nacionais e internacionais ao lado da
forte produção artística de Londrina. “O resultado foi um festival vivo, plural
e conectado com as discussões contemporâneas da arte e da sociedade”, destaca o
coordenador.
Lima ressalta ainda que o FILO
movimenta a economia criativa, gerando trabalho, fortalecendo o turismo, formando
plateias e ampliando o acesso da população à cultura. Segundo ele, a volta da
Petrobras, somada ao apoio do Ministério da Cultura e dos demais parceiros
públicos, como o Promic e a Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura
(PNAB), reafirma que investir em cultura é investir no desenvolvimento social,
econômico e humano. “Essa edição mostrou que o FILO segue forte, renovado e
preparado para construir os próximos capítulos de sua história.”
NÚMEROS DO FILO 2026
51 espetáculos
75
apresentações
16
atividades formativas (2 oficinas, 4 bate-papos e 10
apresentações didáticas na Mostra Nitis Jacon)
13
cidades (Londrina, Belo Horizonte, São José do Rio Preto, São Paulo, João
Pessoa, Canelinha, Itajaí, Brasília, Fortaleza, Rio de Janeiro, Curitiba,
Arapongas e Maringá)
7 Estados
e Distrito Federal (PR / MG / SP / PB / SC / CE / RJ / DF)
6
Países (Brasil, Argentina, Chile, Israel, México e Espanha).
13
Espaços ocupados
32 mil
Espectadores