A artrose — clinicamente denominada osteoartrite — afeta milhões de pessoas globalmente. Por décadas, a condição foi encarada pela sociedade apenas como um reflexo inevitável e irreversível do envelhecimento humano. No entanto, os avanços na ciência transformaram esse panorama. Hoje, a comunidade médica reconhece a artrose como uma doença inflamatória crônica complexa, que compromete toda a estrutura articular, incluindo a cartilagem, o osso subjacente e a membrana sinovial.
Por sustentarem a maior parte do peso corporal, as articulações do joelho (gonartrose) e do quadril (coxartrose) figuram como as mais impactadas pela patologia. Enquanto no joelho os sintomas clínicos mais frequentes envolvem estalos, inchaço e dores agudas ao agachar, no quadril o desconforto concentra-se na região da virilha, gerando uma rigidez que limita tarefas cotidianas simples, como o ato de calçar os sapatos.
A Revolução da Ortopedia Regenerativa
Como alternativa aos tratamentos convencionais de manejo da dor, a ortopedia regenerativa surge como uma abordagem inovadora e não cirúrgica. O método consiste em utilizar os próprios mecanismos biológicos de cura do organismo para combater o processo inflamatório. Com isso, cria-se um ambiente favorável para a restauração da função articular e para a estabilização de tecidos essenciais, tais como cartilagens, tendões e ligamentos.
Os procedimentos são categorizados como minimamente invasivos, realizados em ambiente de consultório, sem cortes e sem a necessidade de internação hospitalar. Outro diferencial é que a aplicação das terapias é feita de forma totalmente guiada por ultrassom em tempo real, permitindo ao médico visualizar a lesão com exatidão e injetar as substâncias diretamente no foco da dor.
Técnicas Personalizadas
Dentro do leque da medicina regenerativa, diferentes substâncias são aplicadas de forma personalizada para cada paciente:
Ácido Hialurônico: Atua de forma mecânica e biológica na lubrificação da articulação, reduzindo significativamente o atrito e a dor.
Plasma Rico em Plaquetas (PRP): Utiliza uma amostra concentrada do próprio sangue do paciente, rica em fatores de crescimento, que atuam diminuindo drasticamente a inflamação local.
Células-Tronco (BMA): Coletadas a partir da medula óssea do indivíduo, fornecem moduladores biológicos robustos que aliviam os sintomas e auxiliam no retardamento do avanço da doença.
Bloqueios e Neuroproloterapia: Técnicas focadas no sistema nervoso periférico para inibir os estímulos dolorosos crônicos que limitam a mobilidade.
Foco na Autonomia do Paciente
De acordo com o Dr. Guilherme Berigo, especialista em Ortopedia Regenerativa, o objetivo principal é devolver a independência ao indivíduo, evitando a urgência de uma mesa de cirurgia. "A medicina regenerativa representa uma quebra de paradigma na ortopedia. Em vez de apenas mascararmos a dor com analgésicos ou partirmos direto para uma prótese, nós tratamos o ambiente biológico da articulação", afirma o médico.
O Dr. Fernando Cinagava, que também integra a equipe de especialistas, reforça o impacto positivo da técnica no cotidiano de quem enfrenta limitações físicas. "Muitas pessoas chegam ao consultório frustradas, acreditando que o diagnóstico de artrose significa o fim de suas atividades físicas. O que fazemos com as terapias regenerativas guiadas por imagem é reverter esse cenário, devolvendo o paciente à sua performance máxima sem o desgaste emocional e o longo tempo de repouso de um pós-operatório invasivo", pontua.
Os especialistas ressaltam, contudo, que cada caso exige uma avaliação criteriosa para validar a viabilidade do tratamento. Quando associada a um estilo de vida ativo, ao gerenciamento adequado do peso corporal e ao fortalecimento muscular, a medicina regenerativa atua diretamente na raiz do problema. Essa integração de cuidados tem alcançado alto índice de sucesso, conseguindo adiar ou até mesmo evitar cirurgias de prótese (artroplastias) complexas.