Ela é forte, ágil, domina a floresta e agora ganhou mais um título entre os pesquisadores: o de uma verdadeira “superonça”. Um macho de onça-pintada monitorado no Parque Nacional do Iguaçu surpreendeu cientistas ao permanecer saudável mesmo após exames identificarem quatro agentes capazes de causar doenças em felinos.
O animal, conhecido como Pururuca, é um velho conhecido do Projeto Onças do Iguaçu. O jovem macho costuma ser registrado pelas câmeras espalhadas pela floresta e chamou a atenção dos pesquisadores não apenas pela aparência, mas também pela capacidade de resistência.
Pururuca foi capturado em 2023 para avaliação de saúde. Durante os exames, foram identificados quatro agentes infecciosos em seu organismo: o vírus da leucemia felina, o vírus da panleucopenia felina e dois tipos de parasitas.
Apesar dos diagnósticos, a onça não apresentou nenhum sinal clínico de doença. O animal continuou ativo, saudável e desempenhando seu papel como predador de topo da Mata Atlântica.
O acompanhamento de longo prazo foi fundamental para que os pesquisadores pudessem entender melhor a relação entre esses agentes e a saúde dos grandes felinos. Segundo os especialistas, a presença de um vírus ou parasita no organismo de um animal não significa necessariamente que ele ficará doente.
A descoberta reforça a importância do monitoramento constante das populações de onças-pintadas, uma espécie considerada ameaçada e fundamental para o equilíbrio dos ecossistemas.
Mais do que uma curiosidade da natureza, o caso de Pururuca abre novas possibilidades para a ciência compreender como esses animais desenvolvem mecanismos de resistência e sobrevivem diante dos desafios encontrados na vida selvagem.