A 17ª Subdivisão Policial de Apucarana informou nesta quarta-feira (17) que vai encaminhar para a Polícia Federal, em Londrina, denúncias recebidas sobre supostas fraudes financeiras envolvendo um empresário apucaranense, que atua no ramo de serviços de ativos virtuais no município e região. Ele recebia recursos dos investidores na sua conta pessoal e, utilizando o seu próprio CPF, fazia as aplicações.
Inúmeros investidores fizeram boletins de ocorrência virtuais na Polícia Civil do Paraná (PC-PR), informando que teriam dinheiro bloqueado com o operador financeiro e que não teriam recebido retorno do empresário nas últimas semanas sobre o dinheiro deles aplicado. Há também registros de ações impetradas no Judiciário na tentativa de reaver os valores aplicados.
Investidores que teriam sido afetados, apontam que o montante nas mãos do empresário pode girar em torno de R$ 40 milhões. A defesa do empresário informou, por meio de nota, que está em busca de “soluções concretas” para o problema e criticou análises “precipitadas” sobre o caso.
Pelo menos dez boletins de ocorrência virtuais foram feitos apenas na Polícia Civil de Apucarana, segundo o delegado-chefe da 17ª SDP, Marcus Felipe da Rocha Rodrigues. Há boletins de ocorrência também em Jandaia do Sul e Cambé, entre outras cidades, já que o empresário teria investidores no Vale do Ivaí e também do Norte do Paraná, incluindo da cidade de Londrina.
Segundo o delegado, nenhuma pessoa compareceu presencialmente à delegacia para formalizar a denúncia até agora e que todas as manifestações até esta quarta-feira foram virtuais.
Já em nota enviada à imprensa, a 17ª SDP informou que “os relatos apresentados trazem indícios da prática de crimes contra o sistema financeiro nacional, os quais configuram infrações penais de natureza federal” e que a Polícia Civil de Apucarana vai encaminhar os registros de ocorrência recebidos à Delegacia de Polícia Federal em Londrina.
As denúncias do suposto golpe envolvem aplicações que teriam sido feitas diretamente no CPF do empresário, sem vinculação com a empresa formalizada por ele na cidade. A empresa, que chegou a construir uma sede imponente no centro da cidade, não chegou sequer a funcionar no endereço. Um comunicado na fachada informa que o dono do imóvel, que era alugado, retomou o imóvel na segunda-feira (15).
O suposto esquema, segundo relatos dos investidores, era ancorado na promessa de rendimentos atrativos, que giravam em torno de 3,5% a 4% ao mês, bem acima do mercado. Para captar os recursos e convencer os clientes, o empresário ostentava um padrão de vida luxuoso, com viagens em jatos fretados, roupas de grife, relógios de alto valor e até carro blindado. Além disso, utilizava um forte discurso pautado em valores religiosos e filantropia para gerar confiança na comunidade.
De acordo com o advogado Maicon Buriola, que representa um grupo de cinco investidores de Apucarana supostamente lesados, o dinheiro captado pode ter sido diluído em Bitcoin e outras criptomoedas. O defensor destaca que, apenas na região, há mais de 480 famílias afetadas, com algumas pessoas chegando a aportar individualmente até R$ 7 milhões no negócio, muitas vezes depositando os valores diretamente na conta bancária administrada pelo empresário.
Um dos artifícios utilizados para atrair as vítimas teria sido a tokenização de imóveis de altíssimo padrão, como uma unidade no Senna Tower, em Balneário Camboriú (SC). O advogado das vítimas relata que o empresário chegou supostamente a simular a devolução de altos lucros aos primeiros investidores desse projeto para criar uma falsa sensação de segurança, estimulando novos e maiores aportes, quando, na verdade, enfrentava um processo de rescisão por falta de pagamento junto à construtora do imóvel.
Segundo o morador de Apucarana, o clima é de apreensão e desespero entre os investidores. “Está todo mundo chateado, muitas pessoas com depressão. Eu chorei aqui praticamente cinco dias, porque eu acabei colocando minha mãe no negócio, acreditando no projeto”, disse.
Há relatos de um morador de Apucarana que aplicou R$ 5 milhões e de um outro da região que investiu R$ 7 milhões. No entanto, outras pessoas colocaram valores menores. Um morador de Apucarana investiu R$ 15 mil. “Eu mandei mensagem e ele só me disse que vai correr atrás para devolver”, contou. O apucaranense disse que o seu investimento era pequeno, mas faz falta”.
Um outro morador de Apucarana investiu R$ 35 mil. “Não foi passado nenhuma proposta de pagamento. Existe um setor jurídico que está intermediando essa situação, via grupo dos investidores. Não consegui falar diretamente com ele, nem via WhatsApp nem por telefonema. O setor jurídico nos encaminhou dois áudios (do empresário) no grupo de investidores. Meu sentimento é de frustração, impotência e traição (pois conhecia ele no mínimo 10 anos)”, disse outro apucaranense.
OUTRO LADO
Em nota oficial encaminhada, o escritório Possani & Gonçalves Advogados Associados, que assumiu a defesa do empresário, declarou que seu cliente ainda não foi comunicado por nenhum órgão competente sobre procedimentos investigatórios formais.
A defesa informou que a situação está sendo avaliada com cautela e responsabilidade, e que o empresário tem o compromisso de buscar uma solução concreta que atenda à coletividade. Os advogados dizem que sejam evitadas “atitudes precipitadas” e a divulgação de informações “não confirmadas”, argumentando que manifestações isoladas apenas contribuem para o “aumento da tensão” entre os envolvidos e geram insegurança jurídica, dificultando a resolução adequada e pacífica do caso.