Uma operação da Polícia Civil resultou na prisão em flagrante de três pessoas suspeitas de integrarem um esquema de estelionato e crimes contra o consumidor em uma rede de lojas de pneus, no centro de Londrina. A ação ocorreu na última segunda-feira (15) em um estabelecimento localizado no cruzamento da Avenida Jorge Casoni com a Rua Maranhão.
Os detidos — que exerciam as funções de gerente, mecânico e funcionário da unidade — são investigados por praticar venda casada, cobrar por serviços não contratados ou não executados e, em casos extremados, realizar a retenção ilegal de veículos para forçar o pagamento de taxas abusivas.
De acordo com as investigações lideradas pelo Delegado Edgar Soriani, da Delegacia de Estelionatos, o estopim para o flagrante ocorreu quando o estabelecimento exigiu R$ 550 de uma vítima apenas para remontar as rodas do automóvel, sem ter efetuado qualquer troca de peças. O delegado reforçou a ilegalidade da conduta. "Após prestar o serviço, eles não podem reter o veículo. Podem emitir boleto ou uma confissão de dívida, mas jamais prender o objeto do cliente no estabelecimento", explicou.
Histórico de prejuízos
O golpe mirava clientes atraídos por supostas facilidades financeiras. Uma das vítimas, identificada como Cleuzeli Fernandes, relatou que o caso ocorreu originalmente em abril do ano passado, após ser atraída por uma oferta para parcelar dois pneus em dez vezes. O que seria uma economia gerou um prejuízo de mais de R$ 1.500, o triplo do orçamento inicial, além de cobranças indevidas, como taxas para o descarte de pneus velhos, cuja obrigação legal de destinação é da própria loja.
O setor de inteligência da polícia constatou indícios claros de má-fé ao comparar os orçamentos da empresa com marcas conceituadas. Em um dos casos, enquanto o valor de mercado de um serviço semelhante girava entre R$ 1.500 e R$ 2.200, o estabelecimento investigado cobrou R$ 4.500.
Andamento do caso
Apesar da gravidade do flagrante, os três indivíduos foram soltos nesta terça-feira (16) pela Justiça após passarem por audiência de custódia. Eles responderão ao inquérito em liberdade.
Até o momento, a Delegacia de Estelionatos confirmou três casos semelhantes vinculados à mesma loja. A Polícia Civil faz um apelo para que outros consumidores que tenham se sentido lesados entrem em contato imediato com a Polícia Militar ou procurem o 1º Distrito Policial para registrar o boletim de ocorrência, encorpando o conjunto de provas contra a empresa.
Em nota oficial, o estabelecimento comercial informou que está apurando internamente os fatos noticiados e garantiu que não compactua com práticas que contrariem a legislação. A empresa declarou, ainda, estar à inteira disposição das autoridades governamentais para colaborar com o avanço das investigações.