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MP arquiva pedido de improbidade apontado pela CPI do caso “Professor Monstro” em Cascavel

Ministério Público entendeu que não houve comprovação de dolo por parte de gestores públicos, apesar das falhas administrativas apontadas pela comissão parlamentar
18 jun 2026 às 12:34
Por: Portal Tarobá

Meses de investigação, oitivas marcadas por polêmicas e um relatório apontando falhas na condução de um dos casos mais emblemáticos da educação municipal de Cascavel terminaram sem responsabilizações na esfera da improbidade administrativa. O Ministério Público decidiu arquivar o procedimento decorrente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigou a atuação do poder público no caso conhecido como “Professor Monstro”.


De acordo com o Ministério Público, não foram encontrados elementos suficientes para comprovar dolo específico por parte dos gestores públicos envolvidos, ou seja, a intenção deliberada de agir de forma irregular. Embora a CPI tenha identificado falhas administrativas e possíveis omissões no acompanhamento do servidor investigado, o entendimento foi de que a legislação atual exige a comprovação de má-fé para caracterizar improbidade administrativa.


O caso ganhou grande repercussão em Cascavel após a denúncia de abuso sexual contra uma criança em um Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI), em 2019. Segundo as investigações, o agente de apoio foi responsabilizado criminalmente pelos abusos. Inicialmente condenado a 30 anos de prisão, ele teve a pena reduzida para 21 anos de reclusão após recurso da defesa. Apesar da condenação, o processo ainda não transitou em julgado e o réu segue recorrendo em liberdade.


A CPI instaurada pela Câmara de Vereadores tinha como foco apurar possíveis responsabilidades administrativas pela demora na adoção de medidas contra o servidor. Durante as oitivas realizadas entre junho e novembro do ano passado, foram identificadas falhas na condução do processo administrativo, que levou cerca de quatro anos para ser concluído. Nesse período, segundo o relatório, o então investigado permaneceu atuando em instituições de ensino do município.


O documento final da comissão recomendava ao Ministério Público a análise de possíveis atos de improbidade administrativa praticados por servidores municipais. Com o arquivamento do procedimento, familiares da vítima demonstraram insatisfação com o desfecho.

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Além do encaminhamento ao Ministério Público, a CPI também recomendou a abertura de processos administrativos disciplinares contra sete servidores. Segundo a Prefeitura de Cascavel, esses procedimentos ainda estão em andamento e passam por análise técnica individualizada dos fatos e das condutas de cada agente envolvido.


Em nota, o município informou que o acusado pelos abusos já foi demitido por meio de processo administrativo próprio. A administração também afirmou que a servidora apontada como responsável pelo atraso na tramitação do processo disciplinar respondeu a um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) e foi penalizada.


Enquanto a investigação administrativa segue em curso, o arquivamento pelo Ministério Público encerra uma das principais frentes de responsabilização apontadas pela CPI, mantendo o debate sobre os mecanismos de fiscalização e proteção dentro da rede municipal de ensino.

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