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Ministro teme emenda que reduz INSS para compensar fim da escala 6x1

Empresários querem pacote de medidas para apoiar jornada menor
20 mai 2026 às 17:27
Por: Agência Brasil
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, manifestou preocupação com a proposta parlamentar que visa isentar temporariamente os empregadores de pagar a Contribuição Previdenciária Patronal, o chamado INSS Patronal.


“Me preocupo muito com qualquer coisa que tire recursos da Previdência Social”, disse Queiroz ao participar, nesta quarta-feira (20), do programa Bom Dia, Ministro, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).


A emenda parlamentar à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — que trata da redução da jornada de trabalho no Brasil e da extinção da jornada 6x1 — condiciona uma série de contrapartidas fiscais e trabalhistas à redução gradual do limite da jornada semanal de trabalho de 44 horas para 40 horas. A emenda foi apresentada pelo deputado federal Sérgio Turra (PP-RS) e apoiada por 175 deputados.

Além da isenção temporária e escalonada do pagamento de 20% sobre os salários dos empregados contratados a partir da eventual aprovação da PEC, a emenda propõe que a alíquota da contribuição patronal para o FGTS seja reduzida de 8% para 4%.


Os signatários da proposta também querem que a PEC 221 assegure aos empregadores a redução proporcional da alíquota da contribuição do Gilrat (antigo SAT), que financia aposentadorias especiais e benefícios previdenciários concedidos em casos de acidentes de trabalho.

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A emenda fixa o limite semanal de trabalho em 40 horas, mas preserva a possibilidade de compensação de horários e de ajustes de jornada por negociação, defendendo a prevalência do “negociado sobre o legislado”. Além disso, estabelece tratamento específico para as atividades consideradas essenciais, que teriam que ser regulamentadas por lei complementar.


Inviabilidade fiscal

Ao se referir exclusivamente às propostas de compensação que impactariam a Previdência Social, o ministro Wolney Queiroz afirmou que, se for obrigado a abrir mão de receitas fiscais, o governo federal possivelmente terá que cortar outras despesas não obrigatórias, como os investimentos em infraestrutura.


“Pagamos R$ 83 bilhões por mês em benefícios [previdenciários]. São R$ 1,14 trilhão por ano”, disse Queiroz.

O ministro ressaltou que quase metade (47%) do gasto primário federal é destinado a custear despesas obrigatórias com a Previdência Social. “Qualquer coisa que impacte a Previdência Social tem que ser muito bem pensada, muito bem medida. Temos que ter cuidado com o impacto para não a inviabilizarmos”, alertou.


Desafios e fila do INSS

Segundo Wolney, as contas da Previdência Social “já são muito delicadas”. A pressão tende a se agravar com o envelhecimento da população brasileira e a meta do governo federal de reduzir o tempo médio que o cidadão aguarda entre o pedido de um benefício e a resposta final do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A meta é reduzir o tempo médio de resposta para menos de 45 dias, conforme o limite máximo estabelecido pelo TCU.


Ele sugeriu que, na prática, é impossível “zerar” a fila de espera do INSS, já que mensalmente são apresentados cerca de 1,3 milhão de novos pedidos de benefícios. “Se não tiver fila nenhuma, se estiver tudo zerado, já temos 1,3 milhão de requerimentos para processar todos os meses”, concluiu.

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