Logo após o empate histórico conquistado contra a Bélgica no último domingo (21), em partida válida pela segunda rodada da fase de grupos da Copa do Mundo, o técnico do Irã, Amir Ghalenoei, fez um desabafo contundente sobre as condições precárias e geopolíticas que cercaram a preparação de sua equipe para a disputa do Mundial.
Em entrevista coletiva, Ghalenoei relembrou que a maior parte do elenco que atua no futebol local chegou ao torneio completamente sem ritmo competitivo. O motivo foi a paralisação por tempo indeterminado do campeonato iraniano, decorrente do agravamento do conflito armado envolvendo o país, os Estados Unidos e Israel.
“Quero voltar seis meses no tempo. Nós estivemos em situação de guerra direta durante seis meses, não tínhamos uma liga em atividade e me lembro que, em uma das Datas Fifa recentes, passamos 40 horas viajando por via terrestre para conseguir chegar a outro país e disputar uma partida amistosa", revelou o treinador.
Vistos negados e isolamento esportivo
Segundo o comandante, as barreiras diplomáticas impostas à delegação também sabotaram o planejamento logístico da comissão técnica. Às vésperas da abertura da Copa do Mundo, diversos dirigentes da federação iraniana de futebol tiveram seus vistos de entrada negados pelas autoridades organizadoras, inviabilizando o suporte administrativo em solo estrangeiro.
Ghalenoei enfatizou o cenário de isolamento que a seleção enfrentou no período de amistosos pré-Mundial:
Racha no elenco: Metade do grupo, que atua no exterior, mantinha ritmo de jogo, enquanto a base nacional estava inativa;
Boicote: Diversas seleções internacionais cancelaram os testes agendados contra o Irã devido ao clima de instabilidade na região;
Logística: Bloqueios aéreos forçaram deslocamentos improvisados e exaustivos por estradas.
“Nós passamos por essa situação extrema nos últimos seis meses. Entramos na Copa do Mundo nas piores condições possíveis. Essa é a realidade que eu gostaria que o mundo inteiro soubesse”, desabafou o técnico.
Pressão de bastidores e futuro dos atletas
A crise da seleção iraniana ultrapassa as quatro linhas do gramado. Na última semana, Amir Ghalenoei já havia confirmado que os jogadores têm enfrentado forte pressão psicológica de bastidores para buscar asilo político e deixar o país definitivamente assim que a participação do Irã no torneio for encerrada, diante do receio de desdobramentos civis do conflito no retorno para casa.