A combinação entre diversidade genética e técnicas rigorosas de manejo no campo consolidou a pecuária brasileira como referência mundial na produção de carne bovina. Durante a Feicorte 2026, realizada em Presidente Prudente (SP), especialistas e produtores debateram os fatores que garantem o sabor, a maciez e a competitividade do produto no mercado global.
O rebanho nacional aposta na convivência estratégica entre duas frentes: as raças zebuínas, reconhecidas pela rusticidade e adaptação ao clima tropical, e as raças taurinas, de origem europeia, valorizadas pelo acabamento da carne.
Uma das novidades que busca aumentar a eficiência do setor é a criação da raça Bonsmara, de origem sul-africana. De acordo com a pecuarista Clélia Pacheco, o animal se destaca pela precocidade, reduzindo o ciclo de produção e agregando valor financeiro à cadeia produtiva.
Cuidado no campo e critérios de seleção
A excelência do produto final depende diretamente do bem-estar animal e do manejo nutricional nas pastagens. Segundo profissionais do setor, o cuidado "dentro da porteira" é indispensável para que a genética de ponta se converta em qualidade no prato.
Para identificar um corte de alta qualidade, a sommelier de carnes Larissa Morales orienta o consumidor a observar três atributos visuais na hora da compra:
Coloração: A carne deve apresentar um tom vermelho vivo;
Marmoreio: Presença de gordura intramuscular, responsável pela suculência;
Capa de gordura: Uma camada uniforme e bem distribuída no entorno do corte.
O mercado também registra uma mudança cultural com a democratização do consumo. De acordo com o especialista Rodrigo Pena, tanto os cortes traseiros quanto os dianteiros têm conquistado a preferência do público, mostrando que o churrasco depende de todo o processo produtivo, desde a seleção no campo até o preparo técnico.