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USP cria fertilizante inteligente para recuperar solos

Patente inédita baseada em tecnologia vencedora do Nobel de Química promete regenerar até 150 milhões de hectares no País.
03 jul 2026 às 13:41
Por: Agro+
Reprodução

Uma pesquisa do Centro de Pesquisa e Inovação em Gases de Efeito Estufa da Universidade de São Paulo (RCGI-USP) resultou em uma patente inédita para a fabricação de um fertilizante inteligente. A tecnologia utiliza estruturas metal-orgânicas (MOFs) — materiais que renderam o Prêmio Nobel de Química de 2025 — e foca na agricultura regenerativa.


O projeto foi desenvolvido em parceria com a Shell Brasil, Unesp, Novamérica e as deep techs MOF TECH e Quanticum. O insumo tem potencial para recuperar cerca de 150 milhões de hectares de terras degradadas no Brasil, o que permitiria expandir o volume agrícola sem desmatar novas áreas.


Segundo a coordenadora do projeto, professora Liane Rossi (IQ-USP), o fertilizante une engenharia de materiais avançados à ciência do solo. Ele simula os processos naturais de retenção e liberação de nutrientes sob demanda das plantas, operando sob os preceitos da química verde: sem gerar resíduos e com baixo uso de água.


Ação no solo e testes em lavouras


As nanopartículas de MOFs agem como minerais sintéticos que corrigem distorções comuns nos solos tropicais, caracterizados pela acidez elevada e baixa fixação de compostos. A tecnologia eleva a capacidade de retenção de nutrientes, restaura a matéria orgânica e amplia o estoque de carbono fixado na terra.


Testes em campos comerciais de cana-de-açúcar, soja e café indicaram:

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  • Aumento real de produtividade;

  • Maior volume de carbono retido no solo e redução de emissões de CO₂;

  • Melhora nas condições físicas e biológicas da terra;

  • Maior resistência das plantações contra pragas e doenças.


Custo 70% menor e escala industrial


O principal diferencial mercadológico da inovação está no processo produtivo. O método brasileiro corta em 70% o custo de fabricação das MOFs se comparado às técnicas internacionais tradicionais, tornando viável a aplicação em larga escala.


De acordo com Barbara Samartini, líder de projetos da Shell Brasil, o composto já passou por validação em escala de quilogramas. O próximo passo envolve a transição para a produção industrial em toneladas para acelerar a inserção comercial do insumo.


A tecnologia também abre espaço para diminuir a dependência nacional da importação de fertilizantes e gerar novos ativos no mercado de créditos de carbono.

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